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Etiologia do fator
masculino
As
principais causas que acarretam na infertilidade do homem são basicamente
divididas em pré-testiculares, testiculares e pós-testiculares.
Nas pré-testiculares estão o hipogonadotropismo (tumor de hipófise,
cisto, trauma), defeitos genéticos, hiperestrogenismo(tumor produtor de
estrógenos como o adrenal; cirrose hepática), hiperandrogenismo (tumor
produtor de andrógenos), hiperprolactinemia, excesso de glicocorticóides(Sd
Cushing, tratamento para Retocolite ulcerativa e Doença de Crohn, e de
asma brônquica), hipotireoidismo, hipertireoidismo e diabete mellitus.
Nas causas testiculares,
estão os distúrbios genéticos (Sd Klinefelter, Sd XXY), anorquia, Sd
Noonan, varicocele, distrofia miotônica, orquite (pós-caxumba, hanseníase,
traumática), criptorquidia, drogas e químicas, irradiação, idade,
oligospermia idiopática, insuficiência testicular idiopática, e até
causas como paraplegia, obesidade, anemia falciforme.
Entre as pós-testiculares,
se encaixam os distúrbios do transporte espermático por obstrução mecânica
congênita ou adquirida (infecção, cirurgia), ou obstrução funcional
(impotência, distúrbios na ejaculação, denervação simpática, ou por
distúrbios na função espermática (como deficiência na maturação ou
armazenamento pelos epidídimos, anormalidades bioquímicas no plasma
seminal e defeitos genéticos na cauda do espermatozóide).
Das várias causas de
infertilidade no homem, as principais são varicocele, infecção e
inflamação das glândulas anexas, fator hormonal e imunológico, e
azoospermia.
É
decorrente do refluxo de sangue venoso para a veia espermática interna. O
“Fenômeno de mitcracker” foi descrito para explicar o refluxo. Nessa
teoria, a veia renal esquerda, quando comprimida entre a aorta e a mesentérica
superior, aumenta a pressão na porção proximal da veia renal, causando
o refluxo, mas não explica a formação de varicocele no lado direito. O
refluxo da veia espermática se dá pela flacidez na parede das veias, que
leva a uma insuficiência nas válvulas.
As teorias propostas para explicar a
ação da varicocele nos testículos são inúmeras, estando entre elas o
aumento da temperatura testicular causado pelo refluxo sanguíneo, levando
a danos na produção espermática: e a do refluxo de norepinefrina e
epinefrina da veia renal às arteríolas testiculares, causando
vasoconstrição, diminuindo o oxigênio, e aumentando o gás carbônico.
A ação da varicocele se desenvolve em duas etapas.
Primeiro nas células de
Sertoli, causando danos ao epitélio germinativo, levando as células a
apresentarem vacúolos e se tornarem delgadas, não suportando a
espermatogênese, deslizariam (fenômeno de “sloughing”) para a luz
tubular, alternando a formação de espermátides e conseqüentemente, a
espermatogênese.
Na segunda etapa, a ação
ocorre nas células de Leydig, com diminuição na concentração dos níveis
de testosterona intratesticular (100 vezes maior que a concentração
sanguínea), acarretando em 3 alterações: a)parada da maturação espermática
em espermatócito primário, com conseqüente diminuição da espermatogênese;
b)alteração da integridade funcional e estrutural do epidídimo com
alteração da motilidade do espermatozóide por processo de capacitação
espermática alterado; e c)diminuição na concentração de testosterona
plasmática com queda na libido e outras funções sexuais que estão sob
ação da testosterona.
- Infecção e inflamação das glândulas anexas
Podem
ser agudas ou crônicas. As agudas são geralmente acompanhadas de dor com
sintomas urinários e queixas não específicas.
A contaminação do trato genital pode
ocorrer por via ascendente ou descendente. Nesta última, o contágio se
faz com elementos infecciosos do trato urinário, e na primeira, a
transmissão ocorre durante o ato sexual. Os processos alteram a
fertilidade através de: a)aumento da aglutinação espermática devido ação
de anticorpos específicos, b)redução da vitalidade e motilidade espermáticas
por alteração na sua maturação; e c)obstrução dos ductos excretores
na cauda do epidídimo ou na parte inicial do deferente, diminuindo a
quantidade de espermatozóides no ejaculado. Se total ou bilateral, há
azoospermia.
Está
mais comumente relacionado à deficiência hormonal, principalmente por
alterações no funcionamento do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal.
Os casos mais comuns são insuficiência
testicular primária total e parcial. A total (Pan-hipogonadismo primário)
é geralmente de causa genética com aumento compensatório de LH e FSH
devido à baixa produção de testosterona e inibina pela insuficiência
funcional do testículo. Na parcial, há apenas deficiência no
compartimento tubular (células de Sertoli), havendo então aumento de FSH
devido diminuição de inibina, mantendo-se normais os níveis de LH, e
conseqüentemente, de testosterona. (OBS: O FSH, que atua nas células de
Sertoli, produz duas substâncias, a ABP e a inibina. A ABP é a proteína
carreadora de andrógenos, facilitando na espermatogênese e maturação
espermática. A inibina atua no controle da liberação do FSH pela hipófise
por “feed-back”, inibindo a sua liberação).
No hipogonadismo hipogonadotrópico
não há resposta testicular pela baixa concentração de FSH e LH com
produção de testosterona e inibina em níveis baixos.
Seu mecanismo de ação se caracteriza pela atuação de macrófagos,
de citotoxicidade espermáticas, bloqueio do muco cervical à progressão
espermática, distúrbios do peristaltismo tubário, decréscimo de
concentração e motilidade espermática, e por alterações na implantação
do ovo no útero.
É
dividida em excretora e secretora. A secretora se caracteriza por
processos que causam insuficiência na produção espermática pelos testículos,
podendo ser primária, que é causada por processos intrínsecos (genéticos,
tóxicos e infecciosos) ou secundária (alterações externas aos testículos
que atuam de modo negativo na sua função). A azoospermia excretora
caracteriza-se pelos processos obstrutivos de via de drenagem de fluído
testicular, podendo ser congênitos (agenesia do canal deferente e vesículas
seminais, e aplasias – desenvolvimento incompleto tornando o órgão
funcionalmente inativo como o afilamento dos deferentes); ou adquiridos
por traumas, infecções, cirurgias, e processos compressivos (cisto).
Na azoospermia secretora há geralmente
alteração hormonal (aumento de LH/FSH), com permeabilidade das vias
excretoras e biópsia testicular pobre. Na excretora não há alteração
hormonal significativa, biópsia testicular normal ou levemente diminuída
e obstrução das vias excretoras.
Propedêutica
- Anamnese
- Histórico familiar: identificar doenças de
caráter ou transmissão familiar, principalmente em problemas de
fertilidade e casamentos consangüíneos.
- Histórico médico: reconhecer doenças sistêmicas
que possam influenciar na fertilidade como doenças próprias da infância
e suas complicações (orquite pós-caxumba), doenças sistêmicas
como diabetes, hepatite, distúrbios hormonais, neurológicos e
processos infecciosos recentes, se houve cirurgias ou traumas na área
genital, exposição a produtos tóxicos, radioativo e químicos,
exposição constante a calor intenso, e antecedentes pessoais como
tabagismo, etilismo e uso de tóxicos e automedicação.
- Histórico urológico: questionar a presença
de alterações gonadais como criptorquidia (evolução e se houve
correção), e processos infecciosos urinários e genitais (doenças
venéreas).
- Histórico sexual: saber as condições de
relações sexuais e relacionamento entre eles, desde libido, ritmo
sexual do casal, tipo de coito, características de ereção e
ejaculação, utilização de substâncias lubrificantes ou
espermaticidas, além da ansiedade e angústia perante a dificuldade
do casal e ter filhos.
- Exame físico
- Exame físico geral: avaliação cardiológica,
pulmonar e abdominal, desenvolvimento das características sexuais
secundárias (distribuição de pêlos e desenvolvimento genital).
- Exame físico especial: examinar o pênis
avaliando o tamanho e consistência dos corpos cavernosos e presença
de hipospádias, localização e volume escrotais, consistências
dos testículos, presença de hidrocele, e por palpação dos plexos
venosos e manobra de Valsalva, a presença de refluxo venoescrotal.
Palpar epidídimos e deferentes para verificar obstruções,
finalmente por toque retal, a próstata (tamanho, consistência e
forma).
Avaliação laboratorial básica
Consiste
numa avaliação básica das condições seminais através de
espermogramas, estudo bioquímico do líquido seminal, teste de penetração
em muco bovino, teste hipoosmótico (“swelling”), “MAR-TEST” (mixed
eryltrocyte-spermatozoa antiglobulin reaction test) com látex e “immunobead”,
teste de penetração em óvulos de hamster, e prova de capacitação
espermática.
A análise
do sêmen pode ser influenciada por diversas variáveis como o tempo de
abstinência sexual antes da coleta, método de coleta, tempo de
transporte, e temperatura durante o transporte.
Requisitar
pelo menos duas amostras do sêmen. Se houver diferença de 20% entre as
duas, solicitar 3a. amostra. O intervalo entre elas deve ser de
no mínimo uma semana, com um período de abstinência de 2 a 3 dias.
Apesar de períodos mais longos de abstinência resultarem em maior volume
ejaculado e de número de espermatozóides, a motilidade estará
geralmente diminuída.
Na análise
do sêmen de rotina, se verifica: a)características físicas como liquefação,
viscosidade, pH, cor e odor; b)volume da amostra; c)número de espermatozóides,
d)motilidade espermática e progressão, e)morfologia espermática;
f)quantificação do número de leucócitos na amostra, g)determinação
de frutose no fluído seminal (ver tabela 1).
Tabela 1: Valores de normalidade dos parâmetros seminais de
acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS)
Parâmetro
seminal
valor normal
Volume
2,0
– 5,0 ml
Ph
7,2 – 8,0
Concentração/ml
> ou = 2 milhões espermatozóides/ml
Concentração
total
> ou = 4 milhões espermatozóides/ml
Motilidade
(categorias
“A” e “B”)
> ou = 50% de espermatozóides
exibindo motilidade
progressiva
ou
25% exibindo progressão rápida
(categoria “A”)
Vitalidade
> ou = 75% de espermatozóides vivos
Morfologia
>
ou = 30% espermatozóides com forma oval
Leucócitos
<10 mil/ml
O
aumento da viscosidade e liquefação sugerem processo infeccioso e/ou
inflamatório das glândulas anexas. O volume maior que 5ml sugere presença
de anexite aguda, e quando menor que 1,5ml, processo inflamatório crônico
ou obstrutivo.
A
motilidade é classificada em: a)mobilidade rápida e progressiva; b)motilidade
progressiva lenta: c)motilidade não progressiva; d)imóveis.
A
vitalidade é avaliada pelo método clássico através da adição de
eosina Y 0,5% ao sêmen. A morfologia é avaliada após corada pelo método
de Papanicolaou ou pela Técnica de Schon, analisando anomalias da cabeça,
peça intermediária e cauda, em relação ao número (bicefálicos),
tamanho (macrocéfalos, microcéfalos), e forma (redondos, piriformes,
afilados, amorfos)
- Bioquímica do líquido seminal
São
dosadas várias substâncias no sêmen que são consideradas como marcador
da função das glândulas anexas, como a dosagem de frutose (avalia a função
das vesículas seminais), fosfatase ácida e ácido cítrico (avalia função
prostática).
- Teste de penetração em muco bovino
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Por
possuir características físico-químicas semelhantes ao muco cervical
humano, foi proposto o seu uso pela maior facilidade de obtenção em relação
a humanos.
A técnica
consiste em preencher dois tubos capilares com muco bovino e coloca-los em
contato com o sêmen numa inclinação de 30o. à temperatura
ambiente por 90 minutos. Verifica-se a penetração em cm do último
espermatozóide móvel encontrado, ou seja, do que obteve maior penetração.
O normal é de 3cm. Valores abaixo deste indicam deficiência na
capacidade de espermomigração.
- Teste hipoosmótico (“sweling”)
Colocação
de espermatozóides em contato com substância hipoosmótica fazendo com
que haja troca de íons e membrana celular, principalmente da cauda, e o
meio. A presença de inchaço na cauda indica que a membrana está
funcionalmente íntegra, ou seja, capa de realizar trocas com o meio. São
considerados satisfatórios resultados acima de 60% de espermatozóides
com inchaço.
- “MAR TEST” com látex e “immunobead”
Detecta
anticorpo antiespermatozóide no líquido seminal e no soro.
- Teste de penetração em óvulos de hamster
Teste
que envolve fecundação de um oócito de hamster por espermatozóide
humano para verificar sua capacidade de fecundação. È considerado
normal quando mais de 105 dos óvulos são fecundados.
- Teste de capacitação espermática
São 4
técnicas utilizadas para verificar as condições da amostra: a)migração
contra a gravidade(“swim-up”), b)migração e sedimentação(”swim-down”),
c)lavagem e concentração, e d)gradiente de Percoll.
Avaliação laboratorial complementar
1.
Processos infecciosos e inflamatórios das glândulas anexas
Microbiologia do líquido seminal:
Consiste
na cultura do líquido seminal em meios como ágar-sangue, manitol e EMB(eosine-methylene
blue). A amostra é positiva quando há valores maiores ou iguais a 3.000
bactérias patogênicas/ml ou maior ou igual a 10000 bactérias não patogênicas/ml.
Fazer nova amostra em meio específico para realizar um antibiograma.
Citologia
esfoliativa da próstata:
Fazer
a coloração do líquido prostatovesicular pelo método de Papanicolaou.
Amostras com menos de 5 leucócitos polimorfonucleares por campo são
normais. Quando maior ou igual a 10 são consideradas anormais, e quando
entre 5 e 10, são duvidosas.
Prova de peroxidase:
Coloração com ortotoluidina, e faz-se a contagem do número de leucócitos,
em milhões/ml, considerando a existência de processos infecciosos nas
amostras com mais de um milhão de leucócitos/ml.
2. Varicocele
Venografia retrógrada
Método
mais fidedigno para diagnóstico de varicocele. É a cateterização da
veia espermática através da veia femoral, e injeção de contraste para
verificar se há refluxo nas radiografias.
Termografia de fita
Uma fita termosensível detecta o aumento da temperatura escrotal causada
pela varicocele
Estetoscópio Doppler
Verifica
a somatória do refluxo arterial com o refluxo venoso. Nos casos de
varicocele há aumento da linha de base dos batimentos arteriais. A não
elevação dessa linha de base indica que não há refluxo.
3.
Fator hormonal
O diagnóstico é feito
com dosagens séricas de LH, FSH, testosterona e prolactina, e das provas
de hipotálamo-hipófise-gonadal. Os resultados mais comumente encontrados
são:
Aumento de LH e FSH; diminuição de
testosterona: Indica insuficiência testicular primária, que pela ausência
de produção de testosterona, e inibina em quantidades normais, aumenta
as gonadotropinas para tentar estimular o testículo.
Diminuição
de LH, FSH e testosterona: Hipogonadismo hipogonadotrópico que tem
como causas mais comuns os defeitos genéticos e lesões orgânicas
(tumores, cistos, traumas). Se pré-puberal, há pequena diferenciação
das características sexuais secundárias, e se pós-puberal, há
azoospermia, testículos diminuído e presença de características
sexuais secundárias normais ou pouco diminuídas.
Aumento
de FSH; LH e testosterona normais: Doença rara indicando insuficiência
das células de Sertoli com baixa produção de inibina e conseqüente
aumento de FSH.
Aumento
de LH e testosterona: FSH normal: outra causa rara, que indica resistência
parcial da hipófise em reconhecer a testosterona, causando aumento de LH,
e conseqüentemente de testosterona (ciclo vicioso).
4.
Fator imunológico
Pacientes
eu tiveram trauma ou cirurgia local, podem induzir formação de anticorpo
antiespermatozóides pelo contato do sêmen com o sangue, e para a detecção
desse problema, identifica-se anticorpos no plasma seminal e no soro sangüíneo.
“MAR TEST”:
Verifica
a presença de Ac no plasma seminal (“MAR TEST” direto) ou no soro
(“MAR TEST” indireto). Na reação direta há reação de partículas
de látex cobertas com IgG, Ac anti-IgG e possíveis Ac que estejam
aderidas aos espermatozóides. A reação fará com que os Ac anti- IgG se
liguem aos IgG e aos Ac ligados aos espermatozóides. O resultado é
positivo na adesão de mais de 20% das partículas de látex. No indireto,
a reação segue os mesmo princípios, sendo realizada com o soro sanguíneo,
mas se o teste apresenta mais de 20% de adesão, repetir o teste com diluição
1:32, sendo então considerada positiva se a adesão for maior que 20%.
Teste “immunobead”:
Detecta
IgA e IgG no soro, plasma seminal ou ligadas a espermatozóides.
5.
Azoospermia
Dosagem de α-glicosidase:
Marcador
bioquímico da função epididimária. Se valores menores que 15 mUI/ml,
indica provavelmente obstrução no deferente ou de cauda do epidídimo.
Se maior ou igual a 15, normal.
Biópsia testicular:
Indicado
nos casos de azoospermia e oligorpermia severa. Verifica: a)número de
espermatogônias, espermatócitos e espermátides, número de células de
Leydig, vacúolos nas células de Sertoli.
Deferentovesiculografia:
Verifica
a permeabilidade dos canais ejaculatórios com a injeção de contraste
radiológico na luz do canal deferente e sua visualização através das
chapas de Raio-X.
Avaliação genética:
É
feita através de estudo do cariótipo, cromatina sexual e estudo da
meiose. O mais utilizado é o cariótipo para verificar distúrbios genéticos.
O estudo da cromatina é feito na suspeita de hermafroditismo ou
pseudo-hermafroditismo, e o estudo da meiose avalia as condições em que
se dá o processo celular.
USG:
Estudo
dos testículos, epidídimo, pênis, próstata e vesículas seminais.
Tratamento
O tratamento do fator masculino é dividido em clínico e cirúrgico.
O clínico, por sua vez, é dividido em:
Hormonal
► tto do processo infeccioso inflamatório
► tto do fator imunológico
► inseminação artificial
Cirúrgico
►
correção da varicocele
► correção da criptorquidia
► microcirurgia de recanalização dos deferentes e epidídimo
► implantação de capuz no epidídimo
► correção de hidrocele e hipospádia
2.
Tratamento clínico
1.
Hormonal
Antiestrógenos
Esse
medicamento liga-se aos receptores de estrógeno no hipotálamo, fazendo a
gonadorelinas e gonadotropinas aumentarem, consequentemente aumenta a
produção de FHS, LH e Testosterona. É indicado em casos de oligospermia.
As drogas mais usadas são o citrato de clomifeno* 25-50 mg/dia durante 90
dias, e o tamoxifeno 20 mg/dia por 60-360 dias.
Gonadotropinas
São três
tipos. A gonadotropina coriônica humana (hCG) tem ação
predominantemente luteinizante, estimula as células intersticiais de
Leydig a produzir testosterona. A menopausal humana (hMG)* a
atividade predominante é folículo-estimulante e alguma ação
luteinizante, estimulando a espermatogênese nas células dos túbulos
seminíferos. E o hormônio folículo-estimulante puro ( hFSH) que
estimula a espermentogênese. É indicado no hipogonadismo hipogonadotrópico,
azospermias, oligoespermias idiopáticas e no estímulo pós-operatório.
O hMG é usado na dose de 75UI FSH + 75UI de LH , de 3 em 3
dias por 60 dias, associado a hCG 5000U, IM, a cada 7 dias por 60 dias.
Mas, hoje, o esquema utilizado é o que usa FSH puro 75-150UI em dias
alternados durante 6 meses.
Hormônios liberadores sintéticos
É indicado em disfunção hipotalâmica. Tem
sido usado no tto da oligospermia idiopática (com anticonceptivo ) e
nos casos de criptorquidia. Não muito usado.
Andrógenos
A utilização de testosterona em casos de
hipogonadismo hipogonadotrópico com acentuada deficiência de
testosterona, a droga de
escolha é a mesterolona 75
mg/dia, VO, e o proprionato de testosterona 25 mg/semana, por 3 meses.
Undecanoato de testoterona
Para o tto de
astenospermia, utilizando a dose de 40mg, VO, 3x/dia por 3-5 meses.
Inibidores da aromatase
Para aumentar o nível de testosterona
intratesticular, é preciso
impedir sua conversão em estradiol com o uso de inibidores, como a
testolactona 400mg, 2x/dia, 60 dias.
Calicreína:Usada quando há
astenospermia + oligospermia e tto anterior com gonadotropinas sem
sucesso. A forma local, no sêmen, tem a intenção de melhorar a
motilidade espermática na inseminação artificial. Padutin 600mg/dia,
3x/dia, 3 meses.
BromocriptinaNos casos de hiperprolactinemia sem a presença
de micro ou macroadenoma.
2.
Processos infeccioso e inflamatórios
A antibiótico terapia é escolhida conforme o antibiograma. Na
infecção por clamídia e micoplasma é usado a Doxicilina
100mg/dia, 3x/dia por 20 dias. Em infecção por tricomonas , o
Tinidazol 2g, VO, e repetir após 4 dias e 18 dias do início do
tratamento.
3.
Fator imunológico
Visa eliminar a causa primária de produção de anticorpos que
geralmente é um processo infeccioso traumático testicular. O esquema
inclui tratar o processo infeccioso seminal; fazer uso de condom ( para
diminuir a produção de Ac contra o espermatozóide – por 6 meses) e
corticóides, como a metilprednisona 96mg/7 dias ou prednisolona 15
mg/dia, 10-15 dias. Nos casos de
infertilidade imunológica severa, os melhores resultados são com injeção
intracitoplasmática de espermatozóides no óvulo (ICSI )
( Nagy et al.)
3.
Tratamento cirúrgico
1.
Varicocele
A varicocele pode ser corrigida por meio cirúrgico ou não cirúrgico.
A não cirúrgica foi idealizada em 1978, no Brasil. E a técnica consiste
em usar solução hipertônica de glicose e oleato de monoetanolamina para
fazer a esclerose das veias atingidas. Através de cateterização da veia
femoral®
veia ilíaca comum ®
veia cava inferior e veia renal até chegar na veia espermática interna
onde a injeção é feita. Pela manipulação
e a técnica difícil,
a recidiva é grande.
A correção cirúrgica foi criada em 1952 por Tulloch. É indicada
quando há suspeita ao exame físico de alterações seminais, alteração
de volume testicular e ao Doppler e/ou termofita Å.
Cerca de 50% das correções resultam de gravidez após 1 ano da cirurgia.
2.
Processos obstrutivos
Quando há processos obstrutivos, são realizados por microcirurgia
de recanalização do canal deferente (ou seja, reanastomose
deferento-deferento ou vasoasostomias) ou entre o deferente e epidídimo (reanastomose
epidídimo-deferente ou epidídimo-vasostomia).Essa técnica tem resultado
de 85% de permeabilidade e 50% de gravidez, nas recanalizações, e, 30%
de permeabilidade e 15% de gravidez nas vasovasostomias.
Implantação
de capuz no epidídimo
Quando a reanastomose é impossível por aplasia ou agenesia de
canais deferentes e o paciente apresenta função testicular normal.
3.
Criptorquidia
Quando unilateral é feita a cirurgia de fixação do testículo (orquipexia)
no escroto. Essa cirurgia deve ser realizada a partir dos 2 anos de idade
e no máximo até 5 anos, pois a partir de então, há lesões
testiculares que podem causar alterações futuras na fertilidade. E
quando bilateral, usa-se hCG 500UI, IM, 1x/sem., 6 meses. Se não houver
resultados, é recomedado a correção cirúrgica.
4.
Hidroceles e hipospádias
A hidrocele é o acúmulo de líquido seroso produzido pela camada
vaginal do revestimento escrotal. Só é indicado a cirurgia de correção
na esterilidade quando a hidrocele é grande e traciona o cordão espermático,
isso faz com que o aporte sanguíneo para o testículo esteja diminuído.
Na hipospádia, a cirurgia deve ser realizada ainda durante a infância.
4.
Tratamento psicológico
A esterilidade é uma situação que causa muito estresse
emocional, então o casal deve ter um acopanhamento psicológico.
5.
Reprodução assistida
É a técnica onde o médico manipula 1 ou 2 gametas.
As inseminações artificiais são aquelas onde há manipulação
do gameta masculino para colocação no trato genital feminino. Dependendo
do seu local de implantação pode ser intracervical, intrauterina,
intratubária, intraperitonial ou intrafolicular. Pode ser
utilizada em casos de oligospermia.
A GIFT – gamete intrafallopian tube transfer – manipula os 2
gametas e a fertilização ocorre na tuba, in vivo.
A FIVETE é a
fertilização in vitro, é a transferência de embriões
para o útero materno.
A ZIFT – zygote intrafallopian tube transfer – transfere o
zigoto para a tuba e a TET – tubal embryo transfer -
que transfere o embrião para a tuba.
Referências bibliográficas:
- Abdelmassih, Roger – In: Halbe, Hans Wolfgang, Tratado de Ginecologia – 3a
edição, São Paulo, Roca, 2000,p1694
- Cedenho, A P; Freitas, V de;Haddad filho, J – In:
Prado, F Cintra; Ramos, J;Valle, J R do; Atualização Terapêutica 2001
– 20a. edição – São Paulo, Liv Ed Artes Médicas,
2001,p1478
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